OpenFlow e SDN: o futuro das redes

28/11/2013 18:20

O futuro das redes será definido por software. Esse foi o tema principal do Open Networking Summit, encontro dedicado às redes definidas por software (SDN) e ao protocolo OpenFlow, que leva uma programação simplificada aos dispositivos de rede (switches e roteadores, físicos e virtuais, de diversos fornecedores) através de uma interface padrão.

Com um forte conteúdo tecnológico e pouco marketing, o Open Networking Summit foi organizado pela Universidade de Stanford – onde o OpenFlow foi concebido – e pela Open Networking Foundation (ONF), organização formada no início deste ano para padronizar o OpenFlow e a SDN.

O grande público presente ao Open Networking Summit _ de 600 inscritos, parte deles responsáveis por mais de 25 demonstrações _ é uma prova irrefutável de que não estamos mais diante de um projeto de pesquisa. “De fato, SDN possibilita que os clientes e usuários façam coisas que eles não podiam fazer antes”, afirma Dan Pitt, vice-presidente da cúpula e diretor executivo do ONF.

O quê, por exemplo? Programar uma rede como se ela fosse um computador. O OpenFlow, ou qualquer API que forneça uma camada de abstração da rede física para o elemento de controle, permite que a rede seja configurada ou manipulada através de software, o que a abre para maiores inovações, segundo os participantes da conferência.

“A proposição de valor... é a habilidade de inovar dentro da rede a fim de obter vantagens competitivas”, argumenta Martin Casado, cofundador e CTO da Nicira Networks, empresa de virtualização de rede. “Uma vez que você dissocia as camadas, elas podem evoluir independentemente”.

A SDN fornece abstração em três áreas da rede: estado distribuído, encaminhamento e configuração, conta Scott Shenker, membro fundador do conselho da ONF e professor da Universidade de Berkeley. As abstrações são a chave para extrair simplicidade. “Utilizar redes hoje significa dominar a complexidade, conta ele.

“A habilidade de combinar a complexidade não é a mesma coisa que a habilidade de extrair simplicidade”, argumenta Shenker. “SDN é uma mudança imensa no paradigma da função de controle logicamente centralizado”, completa.

Com o OpenFlow/SDN, os usuários podem personalizar as redes de acordo com as necessidades locais, eliminar ferramentas desnecessárias e criar redes virtuais e isoladas, conta Nick McKeown, professor de engenharia elétrica e ciência da computação em Stanford. Eles também podem aumentar o ritmo da inovação através de software, em vez de hardware, o que irá acelerar a troca de tecnologia com parceiros e a transferência de tecnologia entre universidades.

Mas existem ressalvas também. O OpenFlow e as SDNs acabaram de sair dos laboratórios de pesquisa e de entrar na produção. O OpenFlow é imaturo e não foi testado em implantações de rede de larga escala, dizem alguns participantes da cúpula. A escala, tolerância a falhas e a segurança foram questionados. Pode levar anos para que a tecnologia se manifeste de modo significativo em ambientes de produção.

Efeito Cisco
Como a fornecedora líder em roteadores e switches, a Cisco pode ter muito a perder com a mudança para o SDN. Apesar de ser membro do ONF e planejar colocar o OpenFlow em sua linha de switches Nexus, a SDN pode tirar a proposta de valor do discurso de vendas arquitetônico da empresa.

David Meyer, um distinto engenheiro da Cisco, conta que a empresa compreende o potencial impacto do OpenFlow/SDN e está formulando uma reação para o mesmo.

Independente disso, as empresas e os data centers de grande escala, como aqueles que pertencem ao Yahoo, necessitam disso agora, conta Igor Gashinsky, arquiteto chefe da Yahoo.

“Um dos problemas é a descoberta de topologia”, conta ele. “Roteadores gastam mais de 30% dos ciclos da CPU refazendo a descoberta de topologia. Já temos isto em uma base de dados central! Então vamos apenas programá-la!”.

Com uma API geral como o OpenFlow, SDN torna muito mais simples a introdução de novos fornecedores de sistemas operacionais, conta Gashisky. Permite que os usuários criem plug-ins para adicionar características ao plano de controle sem ter de modificar o hardware fundamental – ou melhorar o hardware sem modificar o plano de controle, conta ele.

“É como a mudança de mainframes para servidores Linux”, compara Gashinsky.

 

fonte idgnow

 


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