Cidades melhoram policiamento com uso do Big Data

12/02/2014 09:19

A realidade da maioria dos departamentos de polícia do mundo esbarra na dificuldade de obter orçamento e nas limitações de recursos humanos, expondo os desafios de gerenciar informações para conduzir investigações. No entanto, com a expansão de dispositivos e redes sociais e, com eles, a profusão de dados sobre cidadãos, tornou-se possível a coleta, acesso e compartilhamento de inteligência fornecendo informações valiosas a qualquer momento e qualquer lugar para proteger a sociedade, solucionar casos e evitar a ocorrência de crimes.

Além disso, a evolução de técnicas de rastreamento geográfico, bem como a disseminação de sistemas de vídeo vigilância (CCTV) e outras tecnologias que se intensificaram a disponibilidade de dados trouxeram a necessidade de ferramentas de análise que permitem filtrar e identificar informações confiáveis. Muitas organizações policiais já estão aplicando soluções de análises preditivas e analíticas como meio mais apurado de analisar grandes volumes de dados, soluções essas que podem fornecer informações para apoiar decisões operacionais e promover um policiamento mais eficaz.

Algumas cidades do mundo que utilizam Big Data em suas políticas de segurança e policiamento conseguiram alcançar resultados significativos em investigações, examinando ameaças de segurança e certos tipos de comportamento e acionando equipes de agentes capacitados para áreas com ocorrências urgentes. Aqui estão alguns desses exemplos:

- A partir do uso do software de analytics PredPol, o Departamento de Polícia de Los Angeles (EUA) apontou a redução de taxas de crime em 12% em seis meses.

- Segundo informou a polícias de Memphis, no estado de Tennessee (EUA), houve uma redução de 30% de crimes graves entre 2006 e 2010 com o apoio de análises preditivas.

- A Polícia Metropolitana de Londres, no Reino Unido, uma das polícias mais antigas do mundo, utilizou um sistema de análise automatizado 32 subúrbios da cidade, reduzindo atividades criminais em sete áreas. Eles também descobriram que a partir de dados analíticos tornou-se mais fácil priorizar e aplicar recursos limitados.

Ao combinar novas tecnologias digitais com capacidades analíticas, as polícias, pela primeira vez, passaram a gerar importantes insights de inteligência de investigação sem necessidade do apoio de grandes equipes. Mesmo assim, quando falamos de análises, não podemos esquecer que elas dependem substancialmente dos dados que estão sendo utilizados. Consolidar e integrar esses dados, considerando que muitos deles estão armazenados em sistemas legados complexos, bem como aproveitar dados disponíveis em outras fontes, como escolas, autoridades de saúde e prisões, é crucial para gerar insights mais precisos.

Análises técnicas preditivas que se baseiam em informações compartilhadas entre diferentes serviços de polícia, tribunais, prisões, e outras organizações podem, sem dúvida, ajudar a identificar os locais onde os crimes são mais prováveis ​​de ocorrer, permitindo identificar criminosos e até prevenir futuras atividades criminosas. Por isso, é fundamental a obtenção dos dados certos, no momento certo, e apresentação dos mesmos em um formato que funcionários da polícia consigam utilizá-los na prática.

Essas novas tecnologias terão valor limitado estrategicamente se outros recursos não forem organizados e implantados em conjunto. Além disso, há ainda um debate delicado em torno do acesso a diferentes informações para proteger cidadãos, envolvendo a violação princípios de privacidade e até mesmo sugerindo que as pessoas se sintam em uma espécie de “Big Brother” ao serem vigiadas, tendo seus direitos civis de liberdade impactados.

O uso de soluções de análise como ferramenta de combate ao crime é possível, desde que as polícias possuam sistemas interoperáveis ​​centralizados e bancos de dados locais. Mas essas ferramentas requerem ajustes constantes, já que parâmetros de análise e os resultados devem ser continuamente revisados e atualizados para que as ações policias possam evoluir para um estágio de antecipar e evitar atividades criminosas.

As soluções de analytics, acima de tudo, fazem parte de uma nova onda de tecnologias disruptivas que podem ajudar organizações policiais na aplicação da lei de combate crime. No entanto, são mais eficazes se usadas dentro de uma estrutura que permita explorar os benefícios tecnológicos.


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